O meu coração pulsava de tal forma que julgava que estava com o de Pedro no peito. Mas sabia tão bem sentir o seu batimento. A pulsação de algo que sonhara durante toda a minha adolescência.
– Como assim, namorado? – Foi o meu pai que quebrou o gelo mortífero.
A minha mãe parecia em choque, com lágrimas a aflorarem-lhe nos olhos. Porém, foi a mão que pusera no ombro do meu pai, ainda sentado, que me acalmara.
– Acho que aquilo que o nosso filho nos está a tentar dizer é que confia em nós, Jorge.
Um suspiro audível e quase sofrido do meu pai fez-se ouvir, acalmando ao percecionar a mão de Pedro que ia agora ao encontro da minha.
– Sou gay, e só Deus sabe como sofri com isto por toda a vida. Mas não consigo mais… – E comecei a chorar. Bastante. – Espero que saibam que não é algo que eu tenha escolhido… Não consigo controlar…
O encontro que sentira ir contra o meu peito fora o melhor presente que alguém alguma vez me tinha dado. Muito mais do que qualquer objeto ou valor monetário. Era o abraço do meu pai. Do seu corpo, junto ao meu.
– Eu sei filho, eu sei.