Fiquei branco de medo, tal era o estado em que o rapaz se encontrava. Levantei-me com Sara num ápice, deixando o rapaz aproximar-se de um dos muitos gatos abandonados que viviam nas redondezas.
Eu podia estar a sofrer, com dificuldade em respirar, mas não havia margem para dúvida de que a vida daquele rapaz era muito, mas muito pior que a minha. E foi isso. O choque! Aquele de que precisava para dar-me conta da nova oportunidade da vida que estava a ter. Não só Sara me ajudou a ver as coisas por um novo prisma, como a sua vontade em me ajudar me dera novo fôlego. Coragem para conseguir tomar uma decisão que finalmente fosse mudar a minha vida!
– Pareces pensativo. – Constatou Sara, não escondendo um sorriso travesso após a nossa pequena corrida. Quase que me sentia tentado a voltar para trás para ver o estado do rapaz, mas ao olhar para trás, este tinha desaparecido.
Encostei-me ao muro do miradouro do Jardim do Morro, tentando recuperar o ar. Doíam-me as pernas, não habituadas ao desporto.
– Acho que vou acabar com isto de uma vez por todas.
– Com a tua vida? – A expressão de alarme no rosto de Sara era notória, com uma ruga a formar-se no seu rosto inquieto e alarmado.
– Não! – Ri-me, pela sua preocupação genuína, e descansei-a: – Com o que está mal na minha vida. Vou contar aos meus pais de que estou apaixonado pelo Pedro. É quem eu amo. Não houve escolha. Aconteceu! Não posso ser sacrificado por amar alguém. Não é justo. Não é. E estou tão, mas tão cansado destes segredos. De sentir medo. De viver!
Impedindo que as lágrimas me escorressem cara a baixa, evitei o olhar intenso de Sara e peguei no telemóvel. Estava na altura de ligar aos meus pais.