Estava expectante pela resposta que daria. Parte de mim – uma muito grande – queria que ele aceitasse. Custava-me despedir do rapaz que me dera este momento. Que me fizera ajudar igualmente o André. Mas também entendia como era um momento pessoal, íntimo.
– Já fizeste muito por mim. Mais do que alguma vez serei capaz de agradecer. Acho que agora preciso de fazer este caminho até casa sozinho. Prometo que não me tento atirar para a linha! – Acrescentou, contendo um riso, ao aperceber-se de como eu estava a levar aquilo a sério.
Levantei-me da mesa, acolhendo-o nos meus braços, fazendo-lhe depois sinal para que ali esperasse. Dirigi-me até à entrada, onde procurei por um papel e caneta. Mal os arranjei, escrevinhei o meu número de telemóvel e voltei à mesa de refeições.
– Por favor, diz-me depois alguma coisa – pedi-lhe.
Tomás assentiu, visivelmente emocionado, sendo depois acolhido por André.
– Acho que vocês devem ser as únicas pessoas que alguma vez me ajudaram. Respeito-te muito, e vou esperar também por saber algo, se não te importares.
Tomás assentiu, com uma esperança a ressurgir-lhe nos olhos, e saiu de casa, olhando por uma última vez para trás.
– Não é uma despedida – consegui dizer. Não o conhecia, mas sentia-me mais ligada a ele do que a qualquer outro meu amigo ou conhecido.
– Claro que não! Quero voltar a provar dos teus ovos mexidos.
E com um último sorriso, saiu do apartamento, deixando-me a mim e André sozinhos, num silêncio apertado, sofrido, também nós incapazes de saber o que viria a seguir.