Trajetórias

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Ele seguiu-me, qual salvador da sua vida, e caminhámos em silêncio, não deixando de pensar na indiferença de tanto turista que estava na ponte. Sentia-me mal por ele. Como se, de alguma forma, o facto de ninguém dar por o que ele estava a fazer fosse sinónimo de não darem por ele. Invisível para o mundo.

O pensamento agoniava-me, e não pude deixar de olhar para o lado, tentando certificar-me de que estava lá. E estava, mas o seu rosto estava inexpressivo. Absorto num qualquer mundo sombrio que criara nos seus últimos tempos, deduzi. Queria que ele saísse dele. Era demasiado novo para sofrer assim. De certeza que tudo tinha uma solução.

– Não quero parecer intrometida, mas queres falar?

O meu coração batia de tal forma que parecia que me iria rebentar do peito. Era como reviver o acidente que vitimara o meu pai. E mesmo que completamente diferente, saber que tinha evitado a perda de uma vida desejara-me ter sito capaz de fazer o mesmo pela pessoa que mais amava.

O silêncio continuou, até me obrigar a parar antes do final do trajeto, apoiando-me no metal azulado da ponte, observando o sol que agora se escondia por completo.

– Gosto de tirar fotografias ao mundo que me rodeia. Herdei a paixão do meu pai, e desde então tenho achado mais fácil ver o mundo por um instante captado, do que com os meus próprios olhos. Na fotografia posso compor a cena. Quem são os seus autores. Na vida não. E isso ainda me assusta hoje, após estes anos de vida sem o meu pai. Após a sua morte.

Não me tinha apercebido que uma lágrima me escorria. Acho que era já tão habitual sempre que falava dele, que se tornara parte de quem eu era.

– Lamento muito pelo teu pai. – Murmurou, com as palavras a serem levadas pelo vento. Estava a arrefecer e só conseguia pensar se o chegar a casa seria para ele sinónimo de reavivar o seu sofrimento.

Ficámos novamente num silêncio confortável, ouvindo somente o movimento ocasional do metro e dos chineses e russos que fotografavam a cidade de todos os ângulos.

– O meu namorado sugeriu que ou contava aos meus pais sobre mim e nós, ou a nossa relação terminava.

Uau!

Uau!

Sugeriu??

Não esperava por aquilo. Que a razão do seu sofrimento fosse algo que, para mim, pensava ser impossível nos dias de hoje ser motivo de sofrimento. Mas quem queria eu enganar? Desde que saíra de casa de costas voltadas para a minha mãe, não tinha pensando em mais nada. Sem lógica. Quem poderia eu enganar? Mas será que a solução para os problemas era isto mesmo? Era este confronto com a realidade para resolvermos os dois os nossos problemas?

Engoli em seco, tendo consciência de que Tomás esperava pela minha resposta, contido na dor de a ter proferido em voz alta, e olhei-o calorosamente.

– Não te vou dizer que imagino o que sentes. Mas acredito que se confiares em ti, a vais encontrar. Talvez um túnel? A mim parece-me horrível que alguém obrigue a outra pessoa fazer essa escolha. Não o conheço, mas se a razão for para ele sentir que tens medo de quem és, e seres mais verdadeiro contigo sem pensar nos outros, compreendo. Caso contrário parece-me um ultraje…

Ligar ao Pedro           Ligar aos Pais

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