Estava expectante pela resposta que daria. Parte de mim – uma muito grande – queria que ele aceitasse. Custava-me despedir do rapaz que me dera este momento. Que me fizera ajudar igualmente o André. Mas também entendia como era um momento pessoal, íntimo.
– Não vos vou pedir que testemunhem o meu confronto, mas aceito de bom grado a ida até ao metro. Menos a do André. Já comeu, mas ainda tem os olhos mais vermelhos que sei lá o quê. – Articulou, divertido.
– Espero que corra pelo melhor, puto. – Respondeu este, chegando-se perto de Tomás para o envolver num abraço. Fiquei comovida, não o negava. Ver dois estranhos que se tinham encontrado na situação, mas caricata das suas vidas era comovente, e deixava-me seriamente a pensar… A pensar no meu pai, no que sempre me tinha ensinado, e em como eu própria teria de abraçar a sua perda por completo para conseguir fazer algo por mim.
– Vamos então?
– Por favor, diz-nos depois alguma coisa – pediu-lhe André, levando com um acenar da minha parte.
Tomás assentiu, visivelmente emocionado.
Levantei-me da mesa, fazendo-lhe depois sinal para que ali esperasse. Dirigi-me até à entrada, onde procurei por um papel e caneta. Mal os arranjei, escrevinhei o meu número de telemóvel e voltei à mesa de refeições.
Estendi-lhe o papel, o qual acolheu na palma da sua mão com um carinho reconfortante.
– André, espero que não sejas nenhum ladrão. Não há propriamente nada para roubares, mas por favor, tenta dormir algo. Não me demoro.
– Não sou nenhum drogado ou viciado, não te preocupes. – Respondeu, com uma gargalhada que rapidamente se transformou em tosse. Olhei-o, preocupada, apreçando-me a chegar à sua beira, ajudando-o a sentar no sofá. Parecia que o seu pico de adrenalina tinha esgotado. O seu corpo pedia por descanso.
– Vai levá-lo. Eu fico bem. – Recitou, fechando os olhos, adormecendo de imediato.
– Não me parece que terás problemas com ele. – Riu-se Tomás, preparando-se para sair de casa.
– Não, também acho que não…