Trajetórias

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Confortar

– Os nossos pais conseguem ser… nada pais – consegui articular, a medo. – Às vezes procuramos, procuramos. Respiramos mais do que conseguimos, olhamos em volta, mas não nos encontramos.

– Espero que tudo se resolva e voltes a manter essa vontade que hoje demonstraste connosco. – Complementou André. – Estamos-te muito gratos.

Anuí, engolindo por fim um pedaço de omelete.

– Obrigada, meninos. Sabe bem ouvir coisas dessas de vez a vez. – Retorquiu, com uma lágrima solitária a escapar-lhe por entre um sorriso já há muito encenado.

Levei o olhar ao visor do telemóvel, dando-me conta de que estava na altura de encarar o meu destino. Fechei brevemente os olhos, inspirando profundamente, e olhei para Sara.

– Está na altura de eu ir…

– Já? – Perguntou Sara, expectante. A sua expressão demonstrava algum receio, apesar da confiança na sua voz.

– Já fizeste muito por mim. Mais do que alguma vez serei capaz de agradecer. Acho que agora preciso de fazer este caminho até casa sozinho. Prometo que não me tento atirar para a linha! – trocei, contendo um riso, ao aperceber-me como estava a levar aquilo a sério.

Vi-a levantar-se da mesa, acolhendo-me nos meus braços, fazendo-me depois sinal para que ali esperasse. Vi-a dirigir-se até à entrada, para depois voltar com um pedaço de papel na mão.

Estendeu-mo.

– Por favor, diz-me depois alguma coisa – Pediu.

Engoli em seco, comovido, recebendo depois um aperto de mão de André que se transformou num abraço.

– Acho que vocês devem ser as únicas pessoas que alguma vez me ajudaram. Respeito-te muito, e vou esperar também por saber algo, se não te importares. – Retorquiu.

– Não é uma despedida – consegui dizer. Não sabia o que o destino me reservava, nem a eles. Mas acreditava piamente naquilo. Tinha quase a certeza de que os voltaria e encontrar.

E com um último sorriso, sai do apartamento, deixando uma segurança, uma memória, um evento na minha vida que nunca, mas nunca, esqueceria.

3º Capítulo

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