Sentindo a presença reconfortante de Sara, estaquei. Esperávamos nervosamente por o que quer que o rapaz fosse fazer. Não podia negar que parte de mim sentia uma repulsa, mas ao lembrar-me da ousadia com que proferira o comentário há instantes, dava-me conta como era um rapaz. Tal e qual como nós.
– André, muito gosto. – Cumprimentou, não se demonstrando desconfortável por invadir a nossa conversa.
Ele podia ser um rapaz da nossa idade, mas parecia que tinha como cama um contentor de lixo face ao cheiro nauseabundo a que tresandava. Sara também parecia incomodada, recuando ligeiros centímetros como se isso fizesse o desconforto desaparecer. Seria um sem…
– Sim, sou sem-abrigo – Revelou, com um gesto amplo de mãos, fazendo-nos olhar dele para a vista diante de nós: o rio. – E esta é a minha varanda. Por isso sim, é o que estão a pensar neste momento: acabaram de invadir propriedade privada.
Inclinei-me ligeiramente para trás, encontrado Sara igualmente perplexa com a nossa troca de olhares. Este dia estava a ser muito diferente daquele que idealizara.